Francisco Mota Saraiva apresenta novo romance na Casa da Mutualidade

A Casa da Mutualidade recebeu no dia 22 de maio, pelas 16h30, o escritor Francisco Mota Saraiva, vencedor do Prémio José Saramago 2024.

Assinalando o Dia do Autor Português, o autor apresentou o romance “Morramos ao menos no porto”, numa sessão intimista neste espaço cultural d’A Previdência Portuguesa.

Estreou-se com “Aqui onde canto e ardo” e traz agora uma história de amor de um casal que prevê que esse amor se possa prolongar para lá própria vida e unir-se de algum modo, com uma narrativa que vai sendo complementada por um conjunto de realidades “que nos são muito próximas”.

"O mundo que nós vivemos é de tal forma conturbado, é de tal forma duro e violento que talvez, apesar dessas vagas, no final, naquilo que é o nosso descanso, nós possamos, ao menos, morrer no porto, nesta forma descansada. Ainda que levantando sempre a dúvida: onde é que nós estamos melhor - se é no porto, neste local de abrigo, onde nos mantemos calmos, onde, se calhar, não lutamos, onde não vamos contra as coisas; ou será no outro lado, o lado das vagas, o lado onde nos propomos à luta, onde somos convocados a descobrir aquelas que são as nossas maiores dificuldades, e onde exortamos as nossas maiores habilidades."
Francisco Mota Saraiva
Autor

Acho que a leitura é muito mais que uma proposta, é sobretudo um ato de encontro connosco. Porque a literatura dá-nos algo que mais nada nos pode dar, ou seja, é uma espécie de refúgio, e é por isso que a própria arte continuou sempre a existir apesar dos tempos, apesar de regimes mais ditatoriais, continua sempre a existir como forma de luta, como forma de subversão, porque ela existe e é uma coisa que ninguém pode castrar – ela está no nosso íntimo e dentro daquilo que são as nossas maiores aspirações.

Francisco Mota Saraiva

Afirmando-se como um “pessimista esperançoso”, mantém a ligação a Coimbra, cidade onde nasceu mas que deixou há vários anos, que revisita para encontrar familiares.

Aquilo que eu sinto é que quando nós estamos a escrever, estamos a acrescentar alguma coisa à literatura, ao processo artístico. No fundo, aquilo que nós fazemos é ser uma espécie de tradutor de almas de alguém que traz algo que é sentido pelos outros. Porque escritor e leitor não existem de uma forma sozinha ou isolada. Podemos até entrar naquela velha história do ovo e da galinha e do que surgiu primeiro – se o escritor, se o leitor. Não sei exatamente. Eu entendo que a literatura, de alguma maneira, também é uma comunhão entre o leitor e o escritor e que nesse processo se encontram os dois e daí surge uma obra nova.

Francisco Mota Saraiva
Sobre o autor

Francisco Mota Saraiva nasceu em Coimbra em 1988. É licenciado em Direito pela Universidade Nova de Lisboa e tem um mestrado em Direito e Gestão, pela Nova School of Business and Economics. Em 2021, foi-lhe concedida uma bolsa de criação literária, pela Direção-Geral do Livro, Arquivos e Bibliotecas, e, em 2023, uma residência literária pela Fundação Eça de Queiroz. Aqui onde canto e ardo foi o seu primeiro romance, vencedor do Prémio Revelação Agustina Bessa-Luís, em 2023. Em 2024, foi distinguido com o Prémio Literário José Saramago, com Morramos ao menos no Porto, agora publicado pela Quetzal.